A UFABC também tem das suas.
No penúltimo dia da rematrícula, uma colega de mestrado manda um email questionando a necessidade de nós dois — que já defendemos nossas dissertações e, por conseguinte, nos amestramos — nos matricularmos. “Não faz o menor sentido”, disse a ela, uma vez que já não havia mais nada a fazer naquela ali: todas as disciplinas foram cursadas e a dissertação foi defendida. Falta apenas entregar a versão em capa dura, uma mera formalidade.
Mas, como quem já estudou numa federal conhece a faceta mais nefasta da burocracia toupeira, aquela que gasta 10 reais para avaliar se é necessário gastar 2, resolvi ligar na secretaria que atende aos alunos do mestrado. O tal Diego, não sem antes titubear, meio que num bocejo de felicidade, responde que sim, com certeza, é preciso fazer a rematrícula, porque o aluno só se liberta da instituição quando entrega a malfadada capa dura. Argumento que vou entregá-la ainda nesta semana, que já está na gráfica, mas… Sabe como é: o sistema é o sistema.
O grande desafio agora era: em que me matricular? Já derrotado, pergunto ao Diego, que desta vez é mais convicto: “na disciplina Elaboração de Dissertação, código ED-001″. Pensei em dizer pela nonagésima vez que ela já estava elaborada, escrita, impressa e defendida, mas o poupei da lamúria toda. O pós-graduando é um homem forte.
Findo o praguejamento, tento acessar o sistema para imprimir o formulário de matrícula. E ele, o sistema, é taxativo: não só me nega a senha como diz que “Este serviço está restrito a alunos matriculados nessa instituição de ensino”. “Ora, ora”, olho-o com um misto de pachorra e completo desespero: é para isso que estamos aqui. Eu para me matricular e você para me deixar entrar e imprimir o formulário. Por que raios me fazem um sistema de *matrícula* que bloqueia quem ainda não está matriculado?
Mas isso é pouco. Envio um e-mail ao setor responsável solicitando uma nova senha, pensando que a antiga já estava desgastada pelo tempo, mas a nova tampouco ajudou: sou restrito aos alunos matriculados, me repete o sistema.
Cinco dias depois, com um feriado prolongado no meio, ligo novamente para a secretaria já disposto a renunciar ao título de mestre, aos dois anos de bolsa de fomento e, é claro, ao sistema. Mas eis que me atende a laureada voz da Fujiko, coordenadora de sei-lá-o-quê, que com indistinta paciência me assegura: não devo fazer rematrícula. Sim, pois já cursei todas as disciplinas, elaborei, escrevi, imprimi e defendi a dissertação, e já nem estava mais vinculado à universidade. “Você nem teria em que se matricular”, pondera Fujiko, brindando comigo.
Gostei da Fujiko. Vou ficar com a versão dela.



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