Os limites do preço do petróleo

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Com o aumento de produção nos EUA e na Arábia Saudita, o óleo tem seu menor valor nominal dos últimos 12 anos e provoca crise em países produtores. As oscilações têm impactado o caixa de grandes companhias e gerado uma série de disputas políticas e econômicas. Se para o consumidor final a queda representa uma boa notícia, para a economia petroleira gera preocupação

Texto originalmente publicado na revista Desafios do Desenvolvimento

Uma reviravolta acontece no mercado internacional de petróleo há pelo menos dois anos. Depois de atingir um pico de US$ 110, em fevereiro de 2014, o preço do barril brent (qualidade de referência definida pelo campo de Brent no Mar do Norte) começou a desabar. Um ano depois, o óleo era comercializado pela metade do valor. No início de 2016, os negócios eram fechados a menos de US$ 30 o barril. O recorde nominal histórico nos preços aconteceu em julho de 2008, quando o barril foi transacionado a mais de US$ 145.

Os efeitos de tal variação foram crises em países produtores – em especial Rússia, Irã e Venezuela –, uma situação de pressão sobre a nova modalidade de exploração nos Estados Unidos, a partir de rochas de xisto, cara e agressiva ao meio ambiente.

O que aconteceu com o mercado?

“Houve uma conjunção de fatores que provocou a queda”, avalia o economista José Mauro de Morais, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea e autor do livro Petróleo em Águas Profundas.

OFERTA E DEMANDA

Uma das explicações é o aumento da oferta e expectativa de diminuição do consumo de forma simultânea, ainda que o petróleo tenha uma demanda pouco elástica.

Pelo lado da oferta, a grande novidade recente foi a produção nos EUA. Entre 2012 e 2015, o país (maior consumidor e, até então, o maior importador mundial) se tornou o principal produtor de petróleo do mundo, por meio da extração não convencional de óleo nas rochas de xisto (ver box na página 51). Aumentou sua produção de 10 milhões para surpreendentes 14 milhões de barris por dia, ultrapassando a Rússia e a Arábia Saudita. Esse adicional de quatro milhões de barris equivale ao que Nigéria, Angola e Líbia produzem conjuntamente no mesmo período.

O Iraque também aumentou seus números, mesmo no cenário de queda de preços, atingindo seu recorde: passou de 3,3 milhões de barris diários, em 2014, para 4,3 milhões no final de 2015.

O professor Igor Fuser, da Universidade Federal do ABC (UFABC), autor do livro Petróleo e Poder (Editora Unesp, 2008), faz avaliação semelhante. Para ele, o aumento da oferta impactou o preço, impulsionado pelo papel dos Estados Unidos como produtor.

Ao mesmo tempo, a economia chinesa – a segunda maior consumidora de petróleo do mundo – deu sinais de desaceleração. Em maio de 2012, o noticiário internacional mostrava que, pela primeira vez em três anos, a demanda do gigante asiático por petróleo registrava uma queda. Em 2013, houve o menor aumento em duas décadas. Para 2016, a previsão ainda é de que não haja aumento dessa demanda.

O livro de José Mauro Morais, editado pelo Ipea, apresenta um ótimo panorama dos fatores que conduziram a Petrobras à liderança na produção de petróleo em águas profundas e ultraprofundas, levando em conta aspectos históricos, políticos, tecnológicos e de opções de Estado, desde o início do século XX, no Brasil (disponível em www.ipea.gov.br)

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