Hackitat: um filme sobre hacktivismo

Uma produção bastante ambiciosa e promissora pretende percorrer os quatro cantos do mundo para contar histórias sobre hacktivismo sob as lentes dos próprios hackers. A princípio, um trabalho extraordinário que só terá êxito valendo-se do crowdfunding e, é claro, da ética hacker.

Para conhecer a proposta, aí está o vídeo com legendas em português. Para fazer uma doação, clique aqui.

A luta anônima contra o poder difuso

Artigo publicado na edição de março do jornal Le Monde Diplomatique Brasil

Por Murilo Machado, Rodrigo Savazoni e Sergio Amadeu da Silveira

Como agem e o que querem os hacktivistas do Anonymous, manifestantes em favor da liberdade que nos últimos quatro anos têm demonstrado sua revolta nas redes sociais e nas ruas, contra várias formas de opressão contemporânea, como no caso dos protestos de janeiro de 2012 contra sites governamentais e de corporações da indústria do entretenimento, em razão do fechamento do site de compartilhamento de arquivos Megaupload? São um grupo? Uma ideia? Afinal, a quem interessa criminalizá-los, levantando a bandeira do início de uma ciberguerra? No grupo de pesquisa em Cultura Digital e Redes de Compartilhamento, da Universidade Federal do ABC,[1] nos temos feito essas perguntas, com a finalidade de estudar o desenvolvimento das novas formas de luta política na era das redes interconectadas. Nosso interesse é entender mais profundamente esse deslocamento nas formas de agir, o que pode ser feito por meio dos rastros digitais deixados por esses agentes políticos que têm feito barulho e causado apreensão nas estruturas repressivas globais.

O artigo “Novas dimensões da política: protocolos e códigos na esfera pública interconectada”,[2] de Sergio Amadeu da Silveira, distingue as lutas “na rede” das lutas “da rede”. A primeira forma de disputa política utiliza a rede como arena, espaço da batalha. São as lutas que já ocorriam, transpostas para esse novo (des)território. As lutas da rede, por sua vez, são aquelas que estabelecem batalhas em defesa do arranjo inovador da internet, cujos protocolos de comando e controle, criados pelos hackers, têm sua essência na navegação anônima e na liberdade. Os Anonymous, uma “livre coalizão de habitantes da internet”,[3] filiam-se a essa segunda leva de movimentos e atuam a partir da cultura hacker, que pode ser definida como “toda prática de produção da diferença e da dissidência na tecnologia e pela tecnologia”.[4] Apesar de toda a novidade que apresenta, essa legião não inaugura o pensamento sobre a eficácia das formas tradicionais de protesto político. Os manifestantes do Critical Art Ensemble, por exemplo, puseram em prática, já em 1998, uma onda maciça de ações distribuídas de negação de serviço (Distributed Denial of Service – DDoS) a diversos sites do governo mexicano por conta de abusos cometidos contra as comunidades zapatistas. Esse tipo de protesto é o mesmo que os Anonymous utilizaram nas ações de 19 de janeiro e que derrubaram, entre outros, os sites do FBI e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Voltando no tempo, a primeira – e mais emblemática – ação do grupo foi a onda de protestos contra a Igreja da Cientologia, em 2008. Foi a partir de então que deixaram de ser hackers pautados pelo princípio do lulz (uma prática de gozação com finalidade de desestabilizar o outro) para se tornarem ativistas políticos – ou hacktivistas.

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II Fórum da Revista Espírito Livre

A revista Espírito Livre, da qual sou colaborador mais ou menos regular, realizará em maio seu 2º Fórum. Deve ocorrer no campus da UVV, em Vila Velha-ES. Por conta de compromissos acadêmicos, não pude participar do primeiro fórum, que ocorreu em novembro do ano passado, em Vitória. À ocasião, restou-me acompanhar o evento à distância. Dentre os participantes, não houve um só relato negativo.

Desta segunda edição, só não participarei se estiver muito bem amarrado. Aceitei prontamente o convite do João Fernando Costa Júnior, editor da revista e organizador do evento, para falar sobre uma nova espécie de hacking (tema recorrente nas edições da Espírito Livre): o hacktivismo, que faz um belo coro aos novos movimentos de resistência em rede.

Se estiver por perto, não deixe de passar por lá. Segue abaixo o anúncio do Fórum:

Anunciado o II Fórum da Revista Espírito Livre

O software livre é um fenômeno social e tecnológico em franca expansão e irreversível. Nesse sentido, o II Fórum da Revista Espírito Livre vem abrir mais um espaço de discussão técnica, política e social sobre tecnologia, software livre e tecnologias abertas, através de uma série de eventos em todo o Brasil. Esta segunda edição acontecerá em Vila Velha/ES.

O II Fórum da Revista Espírito Livre irá permitir que leitores e colaboradores criem um espaço bastante estreito de debates e discussão. Pelo fato da publicação ser construída através da colaboração no envio de materiais disponíveis em Creative Commons, de pessoas de todo o Brasil e do mundo, o evento espera criar um espaço onde ambos, leitores e colaboradores, possam se conhecer, trocar experiências, aprender e desenvolver-se juntos.

O evento tem como objetivos reunir a comunidade estadual e nacional interessada em desenvolvimento e aplicação de software livre e de código aberto. Dessa maneira, visa compartilhar experiências e conhecimento, de modo a estimular o uso crescente dos softwares livres, tecnologias e padrões abertos, o aprimoramento de tecnologias, a difusão da filosofia de compartilhamento e criação colaborativa e coletiva. Além disso espera-se estreitar a comunicação entre colaboradores e leitores da Revista Espírito Livre.

O II Fórum da Revista Espírito Livre será realizado no dia 29 de maio de 2012, de 08:00h às 22:00hs, nas dependências do campus da UVV, em Vila Velha/ES. O evento será gratuito, porém com inscrições antecipadas no site do evento. Vagas limitadas.

Informações no site: http://revista.espiritolivre.org/forum