Eu: amestrado!

Henrique Parra, Sergio Amadeu, ¡yo! e Cláudio Penteado

Henrique Parra, Sergio Amadeu, ¡yo! e Cláudio Penteado

Queridos amigos, colegas, conhecidos e desafetos,

Hoje, por volta do meio dia e algo mais, me amestraram. Passados dois anos de pataquadas, presepadas, galinhadas e noites acordadas, me amestraram. Mais: para a folgança de uns e a miséria de outros, foram lá e me amestraram. Só sei que agora, por minha conta e risco, sou mestre. Um mestre das ciências. Das ciências humanas e sociais, constará no título. Mas este pouco importa – cedo ou tarde, entrará para os anais da gaveta deslembrada. Importa mesmo o porvir, que urge e clama: um mestre sozinho não tece uma manhã. Ele precisará sempre de outros, mestres e não mestres, doutores e não detentores, para dar início a um feixe alentador, que transforme e liberte. Se não for assim, nem prossigo: a dita ciência não valerá a pena. Por estas e outras, o meu trabalho, verá lá na página 3, é dedicado a você que, “tal como eu, dedica-se à busca por e à pesquisa de métodos e ferramentas que aspirem à transformação social”. E nada mais.

Tive a sorte, o prazer e o privilégio de contar com alguns dos melhores do mundo para este atrevimento. Não carece apontá-los: até que o mundo se desmanche, sei que estão aí e sabem que estou aqui. No mais, muito obrigado a você que descobriu a data do ritual de amestramento e se deslocou até lá onde Judas perdeu o juízo para assistir. Já a você que não foi, obrigado também. Não aprecio as grandes audiências compostas por amigos – prefiro degustá-los um a um. A quem orou, praguejou, mandingou ou até mesmo pensou: aquele abraço!

Em tempo: já, já a dissertação sairá voando aí pela rede.

“O Ditador” e o recado à democracia norte-americana

Ontem não teve jeito. Reuni toda a coragem que restava ao final de um feriado prolongado e assisti a “O Ditador”, de Larry Charles (Brüno e Borat). Como não estou lá muito preocupado com a saúde financeira da indústria da intermediação, nem estive disposto a me estapear em qualquer Cinemark por aí, cometi o crime hediondo de baixar o filme via torrent.

Como é praxe no trabalho de Charles, a trama é repleta de lugares-comuns e preconceitos inclassificáveis, que se valem do sarcasmo para operar livremente. Mas, mesmo nesse aspecto, o filme é democrático. Sobram farpas para todos os representantes do espectro político internacional, do Irã aos Estados Unidos.

No entanto, o recado mais oportuno – sobretudo em tempos de francos questionamentos quanto ao modelo de representação política ora vigente em vários cantos do Globo – vem ao final do filme, quando Aladeen (Sacha Noam Baron Cohen), o líder supremo da fictícia e totalitária República de Wadiya, tenta convencer parte da nata da hipocrisia mundial quanto às “vantagens” de se viver sob um regime totalitário.

Fiquem com as palavras de Adeleen e, se me permitem, alguns links úteis. Volto ao final.

Por que são tão antiditadores?
Imaginem se a América fosse uma ditadura!
1% do povo teria toda a riqueza da nação.
Ajudariam os seus amigos ricos diminuindo os impostos deles e pagando as dívidas de jogo deles.
Ignorariam as necessidades de saúde e educação dos pobres.
Sua mídia pareceria livre, mas seria controlada por uma pessoa e a família dela.
Grampeariam telefones e torturariam prisioneiros estrangeiros.
Adulterariam as eleições.
Mentiriam sobre as guerras.
Encheriam as prisões com uma raça específica e ninguém reclamaria.
Usariam a mídia para assustar o povo apoiando políticas contra os interesses dele.
Sei que é difícil para vocês, americanos, imaginarem… mas, por favor, tentem.
Vou Ihes dizer o que é democracia.
A democracia é péssima.
Um falatório sem-fim e um monte de opinião boba.
E o voto de todo mundo conta, apesar do quão deficientes, negros ou mulheres são.

Será que falta muito para que as principais democracias liberais do Ocidente cheguem lá?

Hackitat: um filme sobre hacktivismo

Uma produção bastante ambiciosa e promissora pretende percorrer os quatro cantos do mundo para contar histórias sobre hacktivismo sob as lentes dos próprios hackers. A princípio, um trabalho extraordinário que só terá êxito valendo-se do crowdfunding e, é claro, da ética hacker.

Para conhecer a proposta, aí está o vídeo com legendas em português. Para fazer uma doação, clique aqui.

A luta anônima contra o poder difuso

Artigo publicado na edição de março do jornal Le Monde Diplomatique Brasil

Por Murilo Machado, Rodrigo Savazoni e Sergio Amadeu da Silveira

Como agem e o que querem os hacktivistas do Anonymous, manifestantes em favor da liberdade que nos últimos quatro anos têm demonstrado sua revolta nas redes sociais e nas ruas, contra várias formas de opressão contemporânea, como no caso dos protestos de janeiro de 2012 contra sites governamentais e de corporações da indústria do entretenimento, em razão do fechamento do site de compartilhamento de arquivos Megaupload? São um grupo? Uma ideia? Afinal, a quem interessa criminalizá-los, levantando a bandeira do início de uma ciberguerra? No grupo de pesquisa em Cultura Digital e Redes de Compartilhamento, da Universidade Federal do ABC,[1] nos temos feito essas perguntas, com a finalidade de estudar o desenvolvimento das novas formas de luta política na era das redes interconectadas. Nosso interesse é entender mais profundamente esse deslocamento nas formas de agir, o que pode ser feito por meio dos rastros digitais deixados por esses agentes políticos que têm feito barulho e causado apreensão nas estruturas repressivas globais.

O artigo “Novas dimensões da política: protocolos e códigos na esfera pública interconectada”,[2] de Sergio Amadeu da Silveira, distingue as lutas “na rede” das lutas “da rede”. A primeira forma de disputa política utiliza a rede como arena, espaço da batalha. São as lutas que já ocorriam, transpostas para esse novo (des)território. As lutas da rede, por sua vez, são aquelas que estabelecem batalhas em defesa do arranjo inovador da internet, cujos protocolos de comando e controle, criados pelos hackers, têm sua essência na navegação anônima e na liberdade. Os Anonymous, uma “livre coalizão de habitantes da internet”,[3] filiam-se a essa segunda leva de movimentos e atuam a partir da cultura hacker, que pode ser definida como “toda prática de produção da diferença e da dissidência na tecnologia e pela tecnologia”.[4] Apesar de toda a novidade que apresenta, essa legião não inaugura o pensamento sobre a eficácia das formas tradicionais de protesto político. Os manifestantes do Critical Art Ensemble, por exemplo, puseram em prática, já em 1998, uma onda maciça de ações distribuídas de negação de serviço (Distributed Denial of Service – DDoS) a diversos sites do governo mexicano por conta de abusos cometidos contra as comunidades zapatistas. Esse tipo de protesto é o mesmo que os Anonymous utilizaram nas ações de 19 de janeiro e que derrubaram, entre outros, os sites do FBI e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Voltando no tempo, a primeira – e mais emblemática – ação do grupo foi a onda de protestos contra a Igreja da Cientologia, em 2008. Foi a partir de então que deixaram de ser hackers pautados pelo princípio do lulz (uma prática de gozação com finalidade de desestabilizar o outro) para se tornarem ativistas políticos – ou hacktivistas.

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II Fórum da Revista Espírito Livre

A revista Espírito Livre, da qual sou colaborador mais ou menos regular, realizará em maio seu 2º Fórum. Deve ocorrer no campus da UVV, em Vila Velha-ES. Por conta de compromissos acadêmicos, não pude participar do primeiro fórum, que ocorreu em novembro do ano passado, em Vitória. À ocasião, restou-me acompanhar o evento à distância. Dentre os participantes, não houve um só relato negativo.

Desta segunda edição, só não participarei se estiver muito bem amarrado. Aceitei prontamente o convite do João Fernando Costa Júnior, editor da revista e organizador do evento, para falar sobre uma nova espécie de hacking (tema recorrente nas edições da Espírito Livre): o hacktivismo, que faz um belo coro aos novos movimentos de resistência em rede.

Se estiver por perto, não deixe de passar por lá. Segue abaixo o anúncio do Fórum:

Anunciado o II Fórum da Revista Espírito Livre

O software livre é um fenômeno social e tecnológico em franca expansão e irreversível. Nesse sentido, o II Fórum da Revista Espírito Livre vem abrir mais um espaço de discussão técnica, política e social sobre tecnologia, software livre e tecnologias abertas, através de uma série de eventos em todo o Brasil. Esta segunda edição acontecerá em Vila Velha/ES.

O II Fórum da Revista Espírito Livre irá permitir que leitores e colaboradores criem um espaço bastante estreito de debates e discussão. Pelo fato da publicação ser construída através da colaboração no envio de materiais disponíveis em Creative Commons, de pessoas de todo o Brasil e do mundo, o evento espera criar um espaço onde ambos, leitores e colaboradores, possam se conhecer, trocar experiências, aprender e desenvolver-se juntos.

O evento tem como objetivos reunir a comunidade estadual e nacional interessada em desenvolvimento e aplicação de software livre e de código aberto. Dessa maneira, visa compartilhar experiências e conhecimento, de modo a estimular o uso crescente dos softwares livres, tecnologias e padrões abertos, o aprimoramento de tecnologias, a difusão da filosofia de compartilhamento e criação colaborativa e coletiva. Além disso espera-se estreitar a comunicação entre colaboradores e leitores da Revista Espírito Livre.

O II Fórum da Revista Espírito Livre será realizado no dia 29 de maio de 2012, de 08:00h às 22:00hs, nas dependências do campus da UVV, em Vila Velha/ES. O evento será gratuito, porém com inscrições antecipadas no site do evento. Vagas limitadas.

Informações no site: http://revista.espiritolivre.org/forum

Anonymous e zapatistas: um discurso afinado

Anonymous: Como derrotar uma máscara? Como pôr fim a uma ideia? Foto: Thanh/flickr

Não é a primeira vez que observo semelhanças entre o discurso proferido por membros dos Anonymous e os lendários comunicados emitidos pelo Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) por meio de seu eminente porta-voz, o subcomandante Marcos. Isso pode ser notado sem grandes esforços nos diversos canais de comunicação entre o coletivo hacker e seu público externo — como nas redes sociais, em sites ligados ao grupo, em vídeos a ele atribuídos etc.

Até mesmo algumas ações dos Anonymous remontam às inovadoras formas de protesto empreendidas por grupos simpáticos à causa zapatista, já em meados dos anos 1990. A própria ação de negação de serviço (DDoS, ou Distributed Denial of Service, aquele que a imprensa costuma chamar de “ataque”, muito embora não cause dano ou prejuízo aos sites contra os quais se protesta) teve seu nascimento em média escala em 1994, quando o coletivo ativista Electronic Disturbance Theater desenvolveu o software Zapatista FloodNet, que automatizou os esforços para inundar com acessos determinados servidores. Nascia ali o autêntivo hacktivismo, ou ativismo hacker, do qual os Anonymous são filhos — legítimos, e não bastardos.

Até mesmo o ideário geral empregado pelos Anons remonta as táticas zapatistas. Afinal, “Anonymous” diz respeito, antes de qualquer definição, a uma ideia, a um modo de ação, a uma forma de protestar. Não se trata propriamente de um grupo unificado e formal, com suas regras e diretrizes bem definidas, mas antes de conjunto heterogêneo e difuso de grupos e indivíduos espalhados por vários cantos do mundo, que se unem e se segregam a todo momento, a depender da ação a ser realizada. Nesse sentido, “Anonymous” é alcunha sob a qual ativistas de todo gênero agem. Anonymous é todo e qualquer um. E está em todos os lugares.

Por conta do uso das pasamontañas, zapatista é todo e qualquer um. Foto: Leonora Enking/Flickr

E que dizer dos zapatistas? Se os Anons usam máscaras que remetem ao rosto do soldado britânico Guy Fawkes, popularizada pelos quadrinhos da HQ (e, posteriormente, pelo filme) V for Vendetta, os guerrilheiros do EZLN só apareciam em cena usando suas pasamontañas, também anonimamente. Se esse símbolo, que reforçou o caráter distribuído e anônimo do movimento, permitiu que qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, se declarasse um zapatista, não poderíamos esperar que a história se mostrasse diferente no caso Anonymous. E se, perdido em meio a uma “guerra em rede”, o exército mexicano não foi capaz de derrotar o EZLN, vejo que a indústria do copyright, os governos que tentam controlar a Internet e os “analistas de segurança da informação” também não terão vida fácil diante dos Anonymous. Afinal, como derrotar uma máscara? Como pôr fim a uma ideia?

Por fim, para ilustrar esse discurso afinado entre zapatistas e Anonymous, separei um trecho de uma entrevista concedida pelo subcomandante Marcos e documentada pela jornalista e ativista canadense Naomi Klein no livro Cercas e janelas: na linha de frente do debate sobre a globalização. Em seguida, há um comunicado recente emitido pelos Anonymous a respeito do papel do grupo.

Segundo Marcos…

Marcos é gay em San Francisco, negro na África do Sul, asiático na Europa, um chicano em San Ysidro, um anarquista na Espanha, um palestino em Israel, um maia nas ruas de San Cristobal, um judeu na Alemanha, um cigano na Polônia, um mohawk em Quebec, um pacifista na Bósnia, uma mulher solteira no metrô às dez da noite, um camponês sem terra, um membro de gangue nas favelas, um trabalhador desempregado, um estudante infeliz e, é claro, um zapatista nas montanhas

Já segundo os Anonymous (acesse aqui o texto original e aqui a tradução do pessoal da Vila Vudu, que reproduzo abaixo)…

Somos todos Anonymous

Somos legião. Estamos em todos os lugares e em qualquer lugar. Somos gay no Texas, negro nos anos 1950s em Selma, separatista basco na Espanha, curdo no Iraque e na Síria, anarquista na França, palestino em Israel, blogueiro dissidente na China, cigano na Polônia, inuit em Nunavut, ativista hacker na Grã-Bretanha, mulher sozinha num beco às 2h da manhã, agricultor sem terra, ocupante no Zuccotti Park, membro de gangue na favela e no gueto, um carinha sentado sozinho num bar, um manifestante no Egito, um menino-soldado na Somália, um estudante infeliz afogado em dívidas, uma família despejada, e também somos você, claro.

Somos as minorias exploradas, marginalizadas e oprimidas que sentem no coração queimar o fogo da revolta e levantam-se para resistir e mudar o status quo. Somos cada um e todos os excluídos e roubados que acordaram para ver que, sim, cada um tem importância e merece mais da vida. Somos todas as maiorias que têm de calar e ouvir a mensagem da suficiência que nos é impingida no palco global. Somos cada movimento e cada rebelião que canaliza a própria energia para agir. Somos o medo paralisante de que tudo se repita, os pensamentos cimerianos (obscuros, escuros, infelizes, sombrios, nebulosos, frios, soturnos, depressivos, desolados, desconsolados, assustadores, apavorantes, fantasmagóricos [sobretudo no inglês da Escócia], elegíaco, funéreo, deus-nos-livre, lúgubre, miserável, mórbido, plutoniano, sepulcral, solene, sombrio, pálido, tenebrífico, tenebroso, o amaldiçoado rugido que mantém despertos, à noite, insones, os donos do poder.

Somos a espada que pende sobre a cabeça dos tiranos – isso é Anonymous.

Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Ativismo hacker: um breve relato histórico

Este texto, recém-saído do forno, foi publicado na edição de janeiro (n.34) da revista Espírito Livre:

Daqui a algumas décadas, quando os ciber-historiadores [1] se debruçarem sobre o final dos anos 2000, provavelmente concluirão que estamos vivendo, neste momento, um eminente renascimento do hacktivismo, ou ativismo hacker. Este pode ser apreendido, se o encararmos da maneira mais ampla possível, como uma atividade hacker que tenha finalidade política – como redirecionamento de sites, ataque de negação de serviço (DDoS, ou distributed denial of service), sabotagens virtuais, desenvolvimento de softwares etc., mas sempre contendo, na própria ação ou em uma mensagem subjacente a ela, um comunicado de cunho político.

Ao final dos anos 1990, o pesquisador Stefan Wray [2] argumentou que o nascimento propriamente do ativismo hacker se deu em 1998. De fato, naquele ano, houve um número volumoso de registros de “ocorrências” hackers, de pequenos ataques de negação de serviço a ações como a de um jovem britânico conhecido como “JF”, que conseguiu acessar os servidores de cerca de 300 sites, inserindo neles textos e imagens com conteúdo antinuclear.

E, naquele mesmo ano, o grupo de artistas e teóricos ciberativistas autodenominado Electronic Disturbance Theater investiu uma série de ações de desobediência civil eletrônica contra o governo mexicano e em apoio ao movimento zapatista. Uma delas, com o uso do software FloodNet, [3] reuniu cerca de 20.000 internautas em dezembro de 1998.

A partir de então, o hacktivismo esteve em alta até que, em setembro de 2001, ocorreram os atentados às torres gêmeas de Nova York. Naquele ano, a história do hacking teve um novo marco histórico. Passou a vigorar, nos Estados Unidos e em todo o mundo, uma incomum pressão pela política de vigilância, sobretudo pela Internet, o que levou aos hackers a imagem de ciberterroristas a serem combatidos a qualquer custo sob os esforços da tão propalada “guerra ao terror”. O pesquisador Alexander Galloway desenvolve uma reflexão crítica acerca dessa deterioração quanto à imagem pública dos hackers, especialmente na mídia. [4]

Foi apenas no final dos anos 2000 que um novo florescer do hacktivismo veio à tona. Isso se deveu, notadamente, às intervenções políticas do grupo hacker Anonymous, em especial a partir de 2008, com uma imensa onda de trolling contra a Igreja da Cientologia norte-americana, acompanhada de protestos de rua em várias capitais de países do mundo. [5] A partir de então, as ações do grupo só aumentaram em alcance e dimensão, o que fez dos Anonymous um grupo que não comporta definições rígidas, podendo atuar até mesmo como uma alcunha que abriga vários grupos de hackers em seu momento de ação.

Pois bem: chegamos ao final de 2011 com um sem-número de intervenções políticas de várias naturezas, tendo como alvos empresas, governos, organizações ou mesmo atores individuais, e duas bandeiras salientes: a liberdade de expressão e a privacidade, especialmente na Internet. Embora uma quantidade razoável estudos já tenha contemplado a questão sob vários ângulos possíveis, este nos parece ser um fenômeno relativamente novo e parcialmente inexplorado, mostrando-se incompatível com respostas definitivas.

Apesar disso, um espírito parece permeá-lo por inteiro: o de que as velhas formas de se manifestar politicamente estão cada vez mais vazias e inócuas, e são incompatíveis com a nova era informacional. Como bem pontuou o coletivo Critical Art Ensemble, já na década retrasada…

“Esta situação é particularmente irônica, pois a esquerda sempre se orgulhou de usar a história em suas análises críticas. Agora, em vez de levar em conta a mudança atual nas forças históricas ao construir estratégias para o ativismo político, membros da esquerda continuam a agir como se eles ainda vivessem na era do capital arcaico” [6]

Um feliz 2012 a todos. Sobretudo aos hacktivistas.

Notas:
[1] Ocupação que, em breve, tomará conta dos manuais de vestibulares na seção “profissões do futuro” ;)
[2] Stefan Wray, Electronic civil disobedience and the world wide web of hacktivism: a mapping of extraparliamentarian direct action net politics. Disponível aqui.
[3] Software cuja finalidade era sobrecarregar (e, portanto, derrubá-los ou torná-los excessivamente lentos) o servidor de determinados sites-alvo por meio da atualização contínua e desenfreada destas páginas. Bastava aos usuários ativar o aplicativo do FloodNet em seus navegadores que a página seria atualizada inúmeras vezes por segundo.
[4] Alexander Galloway, Protocol. Disponível (clandestinamente) aqui.
[5] Para um breve histórico das ações do grupo, vale passar por este trabalho da pesquisadora Gabriella Coleman.
[6] Critical Art Ensemble, Electronic Civil Disobedience and Other Unpopular Ideas. Disponível aqui.