“O Ditador” e o recado à democracia norte-americana

Ontem não teve jeito. Reuni toda a coragem que restava ao final de um feriado prolongado e assisti a “O Ditador”, de Larry Charles (Brüno e Borat). Como não estou lá muito preocupado com a saúde financeira da indústria da intermediação, nem estive disposto a me estapear em qualquer Cinemark por aí, cometi o crime hediondo de baixar o filme via torrent.

Como é praxe no trabalho de Charles, a trama é repleta de lugares-comuns e preconceitos inclassificáveis, que se valem do sarcasmo para operar livremente. Mas, mesmo nesse aspecto, o filme é democrático. Sobram farpas para todos os representantes do espectro político internacional, do Irã aos Estados Unidos.

No entanto, o recado mais oportuno – sobretudo em tempos de francos questionamentos quanto ao modelo de representação política ora vigente em vários cantos do Globo – vem ao final do filme, quando Aladeen (Sacha Noam Baron Cohen), o líder supremo da fictícia e totalitária República de Wadiya, tenta convencer parte da nata da hipocrisia mundial quanto às “vantagens” de se viver sob um regime totalitário.

Fiquem com as palavras de Adeleen e, se me permitem, alguns links úteis. Volto ao final.

Por que são tão antiditadores?
Imaginem se a América fosse uma ditadura!
1% do povo teria toda a riqueza da nação.
Ajudariam os seus amigos ricos diminuindo os impostos deles e pagando as dívidas de jogo deles.
Ignorariam as necessidades de saúde e educação dos pobres.
Sua mídia pareceria livre, mas seria controlada por uma pessoa e a família dela.
Grampeariam telefones e torturariam prisioneiros estrangeiros.
Adulterariam as eleições.
Mentiriam sobre as guerras.
Encheriam as prisões com uma raça específica e ninguém reclamaria.
Usariam a mídia para assustar o povo apoiando políticas contra os interesses dele.
Sei que é difícil para vocês, americanos, imaginarem… mas, por favor, tentem.
Vou Ihes dizer o que é democracia.
A democracia é péssima.
Um falatório sem-fim e um monte de opinião boba.
E o voto de todo mundo conta, apesar do quão deficientes, negros ou mulheres são.

Será que falta muito para que as principais democracias liberais do Ocidente cheguem lá?

Hackitat: um filme sobre hacktivismo

Uma produção bastante ambiciosa e promissora pretende percorrer os quatro cantos do mundo para contar histórias sobre hacktivismo sob as lentes dos próprios hackers. A princípio, um trabalho extraordinário que só terá êxito valendo-se do crowdfunding e, é claro, da ética hacker.

Para conhecer a proposta, aí está o vídeo com legendas em português. Para fazer uma doação, clique aqui.